Reportagem: Marcela Chiarelo

Foto: Banco de Imagens

Mãaaaaae, ô mãaaae! E quando o silêncio traz angustia, desespero, um desassossego. Quando o único choro é o seu, e, você não divide mais seu tempo, não tem com quem falar, quando surge o medo, quando você não sabe quem é você. Quando as preocupações não doem mais a cabeça? Às vezes a lógica da vida se inverte, e, como seguir quando falta um?

É preciso encontrar força, e seguir, machucado, dilacerado, faltando um pedaço de si.  O sol se foi, o céu ficou cinza, mas é preciso continuar a remar, pois o sol voltará a aquecer e iluminar, mesmo quando a vida parece teimar em não voltar para o lugar.

Enlutar-se, como pode uma palavra trazer tantos desafios? O luto é um processo dolorido, mas necessário enfrentá-lo em algum momento da vida. Cada um exerce o processo em seu tempo, sentimentos ambivalentes surgem.

Já falou com grávida sobre o falecimento do bebê? Isso, mesmo você leu certo. Por mais natural que a morte seja, temos um distanciamento dela. Ainda mais no momento em que o nascimento remete a ideais tão distante da morte.

Bruna de Paula, 21 anos, primeira gestação. Sim, Bruna se tornou mãe, mas em sete dias enterrou sua filha. A pequena Maria Tereza foi diagnosticada com Artrogripose Congênita, a gestação foi assistida por profissionais especializados no HC(Hospital das Clínicas) de Ribeirão Preto durante sua gestação. Bruna foi do céu ao inferno, afirma  que ficou em choque.

Hoje Bruna busca viver um dia de cada vez, “tem dias que bate uma tristeza inexplicável, uma saudade do que a gente viveu e daquilo que viveríamos se ela tivesse aqui, mas procuro me acalentar na crença que ela viveu no tempo que precisava e que se tornou um anjo” afirma Bruna.

Foto: Arquivo Pessoal (Bruna de Paula)

De acordo com a RBO (Revista Brasileira de Ortopedia), a artrogripose múltipla congênita não é uma doença e sim uma síndrome rara, de etiologia desconhecida. Original-mente descrita por Otto(18), em 1941, como miodistrofia congênita; Stern(2,8,27) , em 1923, denominou-a de artrogripose múltipla congênita.Trata-se de entidade congênita não progressiva, caracterizada por alterações da pele, tecido celular subcutâneo, que é inelástico, e aderido aos planos profundos, acompanhado de ausência das pregas cutâneas, músculos atrofiados e substituídos por tecido fibrogorduroso, articulações deformadas com limitação da mobilidade, rigidez e espessamento das estruturas periarticulares e com sensibilidade conservada(8,15,23,27 ), com altos índices de mortalidade.

Mãe também precisa de colo que acolha, a família tem papel fundamental nesse período, através do suporte emocional. Mônica Mata Ribeiro, 51, perdeu seu filho há 3 anos em um acidente de carro. Acidentes de trânsito causam 5 mortes no Brasil a cada 1 hora, informa um relatório divulgado pelo Conselho Federal de Medicina (CFM). Entre 2008 e 2016, o total de 368.821 pessoas morreram vítimas de transporte nas estradas e ruas do país.

Mônica afirma que é preciso seguir, pois existem outras pessoas que precisam que ela esteja bem. “ Quando fico sozinha vem tudo na cabeça, lembranças dos momentos vividos, quando fico sozinha é muito difícil, Herick me faz muita falta, ele era meu filho, amigo, companheiro, então nessas horas é quase impossível não cair em lágrimas”

Foto: Arquivo Pessoal (Mônica Malta)

Herick faleceu aos 26 anos, vítima de acidente de carro. Ele retornava do trabalho, não havia ingerido nenhuma substância química, foi vítima de uma ultrapassagem. Ambos motoristas faleceram.

O Conselho Federal de Medicina, realizou um balanço entre os anos de 2009 e 2018, no qual aponta que 1,6 milhão pessoas ficaram com sequelas devido acidentes de trânsito, elevando o custo de quase R$ 3 bilhões ao Sistema Único de Saúde (SUS).